‘Venenos de Deus, remédios do Diabo’, de Mia Couto

‘Venenos de Deus, remédios do Diabo’ foi minha leitura de estreia com a literatura do jornalista, biólogo e escritor moçambicano Mia Couto.

Couto é atualmente considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, sendo o escritor moçambicano mais traduzido para as mais diversas línguas.

Nesta obra ele conta a história de Sidônio Rosa, médico português que vai até Moçambique para ajudar no combate de uma epidemia que se alastra pelo lugarejo de Vila Cacimba. Na verdade, Sidônio procura por Deolinda, mulata por quem se apaixonou em Lisboa. No entanto, quando chega ao lugar, Sidônio não encontra Deolinda, cuja família aguarda o retorno de uma viagem que ela fez sob o pretexto de estudar.

Resta ao médico a espera pelo regresso da amada. Enquanto espera, ele fica a serviço da comunidade para remediar um surto de meningite que atingiu o povoado num posto improvisado de saúde. Sidônio também aproveita a estada em Vila Cacimba para aproximar-se da família de Deolinda cuidando do velho pai enfermo da moça e trocando confidências com a mãe dela.

O texto de Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência dos dialetos moçambicanos, que se fazem entender através de notas do tradutor. O livro é uma prosa impregnada de poesia. Couto é sutil e sensível ao falar de amor, devoção, traição, mentiras e incertezas. As menos de 200 páginas do livro se esvaem ligeiras. Um belo livro.

‘- Não vale a pena. O nosso amor envelheceu, mulher.

– E porquê diz isso?

– Agora,quando nos abraçamos, já nem choramos.’

[trecho]

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