‘Suicídios Exemplares’, de Enrique Vila-Matas

Enrique Vila-Matas é um escritor que, para mim, transcende qualquer tipo de grande elogio que a ele tenha sido remetido acompanhado de boas doses de entusiasmo. É um dos escritores que mais me empolgam, um dos meus queridinhos.

Conheci Vila-Matas lendo ‘Bartleby e Companhia’, um livro que narra a história de escritores acometidos pela síndrome de Bartleby, uma espécie de enfermidade psicológica que os impede de criar, e por conseguinte, de escrever novos livros.

Os personagens da história são escritores fracassados com uma imensa atração pelo nada. Me apaixonei perdidamente pela visão de Vila-Matas da ficção. Para ele parecem não haver limites para vislumbrar o novo, e dentro de um universo ilimitado de descobertas, ele se diverte encontrando a não-óbvia lógica do insólito.

Depois de ‘Bartlebly’ não consegui mais parar de ler Vila-Matas, nem de me encantar a cada leitura que fazia de uma obra dele.

Sempre que penso em Vila-Matas o imagino como uma chaleira fervilhante de grandes ideias. Dono de um humor dos mais refinados, ele escreve livros divertidos, surpreendentes e leves, ainda que versem sobre temas densos.

Assim é ‘Suicídios Exemplares’, o quinto livro do escritor catalão publicado pela Cosac Naify no Brasil em 2009, e ao qual só tive acesso recentemente, numa edição da Folha de São Paulo.

‘Suicídios Exemplares’ é um título que quase me assusta, devo confessar. A temática do suicídio não é um assunto que me atrairia num livro se não fosse este escrito por Vila-Matas. Mas justamente por ter sido fruto da mente inquieta de um catalão genial, decidi saboreá-lo nos últimos dias.

A obra reúne dez contos que se assemelham pelo fato de que em todos eles o personagem principal planeja dar cabo da própria vida. No entanto, é justamente essa obsessão pela própria morte que faz os personagens dos contos afastarem-se dela. De tanto desejarem e confabularem sobre o dia em que baterão as botas, os personagens acabam por nunca de fato serem fregueses de alguma agência funerária.

Dez contos sutis, imprevisíveis, inteligentes, leves e até divertidos. Uns mais longos, outros de esbeltas cinco páginas. Em todos eles, curtos ou não, há um farto banquete da magnificência de Vila-Matas, da lógica do absurdo, das referências literárias, da atração pelo que não é palpável e do estilo de escrita fluido e delicioso que são tão característicos deste que tem sobre si o título de ser um dos maiores escritores da contemporaneidade.

Ps: Todos os livros de Vila-Matas são editados no Brasil pela Cosac Naify, e como característica de basicamente todas as obras da editora, são caros. ‘Suicídios’, no entanto, foi editado também pela Folha de São Paulo, que vende sua edição a parcos 17 reais em bancas de revista. O meu exemplar adquiri na revistaria da Livraria Cultura aqui de Fortaleza.

Ps2: Vila-Matas estará no Brasil mês que vem. É presença confirmada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano, evento para o qual infelizmente não irei. Dividirá a mesa de debates com Alejandro Zambra, o escritor chileno da vez, autor de ‘Bonsai’, livretinho de menos de 100 páginas que virou filme e dizem ser espetacular. (Está no aguardo de minha leitura, o ‘Bonsai’. Fiz pedido dele na livraria. Não deve demorar a chegar.)

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