‘Sonhos de Trem’, de Denis Johnson

‘Sonhos de Trem’ tem parcas 88 páginas que me foram um verdadeiro suplício terminar de ler por inteiro. Nunca antes um livro tão fininho me deu tanto trabalho para ser lido. Não que tenha levado muito tempo. Poucas horas de leitura e ele deu-se por encerrado. A questão é: não lembro de ter lido este ano um livro tão insosso. ‘Sonhos de Trem’ faz oficialmente companhia ao igualmente sem sabor ‘Carta a D’, livretinho de André Gorz que resenhei aqui: http://migre.me/9uBLz.

Denis Johnson é um escritor alemão que nesta obra se propôs a contar uma história bem simples: Robert Grainier é um madereiro tímido e recluso que constrói trilhos de trem em cidadelas nos Estados Unidos dos anos 20. Ele tem uma vida simples e pacata até que perde a mulher e a filha num grande incêndio que destrói sua casa. A partir de então Grainier atravessa seus dias lidando com os vazios deixados pela morte inesperada de sua família.

A trama sobre a solidão e o desalento de Grainier é narrada de forma crua ao mesmo tempo que dialoga com um universo fantasioso, que não sabe o leitor ser fruto da imaginação do personagem ou se de fato as situações relatadas aconteceram. Episódios como um encontro de Grainier com uma menina lobo e um diálogo com um homem que foi baleado pelo próprio cachorro são exemplos desse cunho fantasioso que Denis Johnson emprega em ‘Sonhos de Trem’.

Grainier é um homem pequeno. Não tem passado, não tem ambições futuras. Absolutamente nada no personagem conseguiu me cativar a ponto de me envolver com ele e ter sede pelo desenrolar do livro. Achei a narrativa tão despretensiosa que perdi o interesse por ela. Johnson construiu um personagem tão apático que não encontrei razões para me empolgar com ele.

Uma curiosidade: ‘Sonhos de Trem’ foi finalista do Prêmio Pulitzer de 2012. No entanto, este ano, a comissão deste que é um dos prêmios literários mais aclamados do mundo, decidiu que não premiará nenhuma obra de ficção. É a primeira vez que isto ocorre desde a criação do prêmio. A justificativa dada pela comissão para o fato foi a falta de unanimidade do júri. ‘Sonhos de Trem’ dividia o páreo de melhor obra de ficção do Pulitzer 2012 com ‘Swamplandia’, de Karen Russell, e ‘The Pale King’, o romance póstumo de David Foster Wallace (<3) ainda não publicado no Brasil.

Leave a Comment

Il tuo indirizzo email non sarà pubblicato. I campi obbligatori sono contrassegnati *