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Convite

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Fui gentilmente convidada pelo queridíssimo Raphael PH Santos (@phsantos) e sua parceira de grandes empreitadas, Lívia Lopes (@liviavlopes), a participar de um evento sobre literatura, o Clube do Livro. O evento será realizado mensalmente, sendo o próximo dia 19 de janeiro o primeiro de muitos outros encontros.

Basicamente vamos trocar ideias sobre livros e leitura. Vou falar um pouco sobre como iniciei minha relação com os livros, minhas preferências literárias e um pouco sobre o blog também.

Isso tudo no próximo dia 19, sábado, no auditório da Livraria Cultura em Fortaleza.

A entrada é gratuita, e quem quiser e puder pode levar um livro novo ou usado e/ou um quilo de alimento para doação.

O Clube do Livro tem fanpage no Facebook: http://www.facebook.com/clubedolivrofortaleza?fref=ts

E o primeiro evento está divulgado aqui: http://www.facebook.com/events/155945004553703/?fref=ts

Estão todos convidados, até lá!

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‘Barba ensopada de sangue’, de Daniel Galera

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Não faço parte do time que paga pau gratuito pro Daniel Galera. Componho uma agremiação fundada e formada apenas por mim que acha o escritor gaúcho um dos caras que melhor escreve na contemporaneidade, que possui um admirável estilo próprio, mas que ainda não havia lançado um livro que o fizesse digno de carregar a pecha de grande autor dos nossos dias.

Acompanho o Galera há algum tempo fazendo a leitura de tudo o que é lançado com a assinatura dele. Nesse ínterim chego a gostar mais de textos avulsos em blogs e ensaios publicados na Revista Serrote do que dos livros dele que se avolumam na minha estante. Reiteiro: Galera pra mim é um grande escritor sem um grande livro.

Isto até que me cai em mãos ‘Barba ensopada de sangue’, que comprei tão logo foi lançado. Diante das críticas amplamente favoráveis, iniciei a leitura com desconfiança. Afinal de contas, Galera é queridinho da crítica. Um autor de rosto bonito e ousadia que o fez ter sua própria editora e lançar seu primeiro livro, ‘Dentes Guardados’ (disponível em pdf aqui: http://ranchocarne.org/). Depois ele publicou pela Companhia das Letras, teve seu ‘Até o dia em que o cão morreu’ adaptado para o cinema pelo diretor Beto Brandt sob o título de ‘Cão sem dono’ (o melhor livro dele até ‘Barba’, na minha opinião. Gosto muitíssimo do filme também), participou da coleção ‘Amores Expressos’ ao lado de outros aclamados autores com seu ‘Cordilheira’, teve seu ‘Mãos de Cavalo’ bem aceito pela crítica, lançou a graphic novel ‘Cachalote’ e enquanto isso eu ainda esperava o grande feito do gaúcho bonitão que escreve bem pra caramba. Porque apesar da aparente relutância, sou grande fã do rapaz e sabia que qualquer hora dessas ele iria lançar um livrão.

E eis ‘Barba ensopada de sangue’, este livro de nome estranho que na contracapa é exaltado por ninguém menos que Ricardo Piglia, um dos maiores autores que o mundo terá notícia.

‘Barba’ conta a história de um educador físico sem nome que possui um distúrbio neurológico que o impede de memorizar os rostos alheios. É este o personagem principal ao redor do qual a trama de busca de identidade irá se construir. Ele parte em busca de desvendar o mistério da morte do avô, que, conta a história, foi assassinado em Garopaba, litoral catarinense.

Dentro desse contexto Galera desenha com riqueza de detalhes – por vezes exagerada e um pouco cansativa – a saga do treinador por desvendar os segredos de família. A narrativa tem ritmo. Em muitas partes fiquei com fôlego suspenso e a ansiedade por desatar os nós da história me fizeram não desgrudar do ‘Barba’ por horas incontáveis e deixar para depois eventos sociais. ‘Barba’ é projetado e construído com segurança a ponto de prender e conduzir o leitor resfolegante pelo desenrolar dos acontecimentos até um fim bastante sólido. Uma das características mais fortes da trama é a montagem de um inteligente quebra-cabeça dos fatos na cabeça do leitor. Nada é entregue de bandeja, mas aos poucos todos os questionamentos vão sendo respondidos e o livro termina sem interrogações ou buracos na narrativa.

Um ponto alto é que os personagens envolvem, são concretos. Não só o educador físico sem nome, mas o irmão Dante, a moça Dália, o moleque Pablo, os nativos da região, Viviane, a cachorra Beta – e principalmente ela – têm seus contornos tão bem definidos (talvez pelas descrições longas, que projetam um pouco de como o educador físico sem nome percebe e memoriza as pessoas e situações) que há um apego do leitor com os que compõem a história. ‘Barba’ tem uma carga de drama e envolvimento bem balanceados, há um apego genuíno pelo encontro do educador físico com sua história e consigo mesmo.

Enfim, finalmente afirmo em paz, do topo dos meus achismos mal fundamentados: Daniel Galera é um grande escritor com um grande livro.

Ps: ‘Barba’ foi lançado com capas em verde a azul. A minha é verde por falta de opção na livraria no momento em que comprei, mas acredito que a vermelha seja a mais condizente com a natureza violenta e visceral da história de Galera. Em tempo: há uma explicação plausível pro título incomum nas derradeiras páginas do romance. Chegar até lá não é difícil, e a explicação para escolha do título é das boas.

Ps 2: O primeiro capítulo da obra foi selecionado pela revista Granta dos 20 Melhores Jovens Escritores Brasileiros no ano passado. Para concorrer a seleção da publicação Daniel Galera intitulou o primeiro capítulo do livro a ser lançado de ‘Apneia’.

Ps 3: Neste livro há forte influência de David Foster Wallace na escrita de Galera. Estão lá as notas de rodapé enormes que se tornaram grande marca do escritor americano morto em 2008.

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‘O céu dos suicidas’, de Ricardo Lísias

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Conheci Ricardo Lísias lendo ‘Tólia’, texto selecionado pela revista Granta como um dos 20 escritos pelos ditos Melhores Jovens Escritores Brasileiros no ano passado. A história de um autor que abre mão da literatura como profissão e se volta para o xadrez profissional me encantou pela escrita ritmada que versou sobre inadequação e silêncio. O texto tanto me aguçou a curiosidade que logo procurei mais sobre o escritor paulista até chegar em ‘O Céu do Suicidas’, quinto livro escrito por Lísias e publicado em 2012.

Adianto-me dizendo que ‘O Céu dos Suicidas’ é daqueles livros que, depois de devorado com gulodice em pouquíssimas e prazerosas horas, você tem vontade de presentear todos os amigos queridos com ele. Lido ainda no ano passado, ‘O Céu’ foi a leitura mais entusiasmada que fiz nos últimos momentos do ano e trouxe consigo uma enorme vontade de ler as outras publicações de Lísias, especialmente ‘O Livro dos Mandarins’, publicado também pela Alfaguara e sobre o qual li bastantes achismos positivos sobre.

Falando sobre o miolo de ‘O Céu dos Suicidas’, nele Lísias narra a história de um especialista em coleções que vive um momento de descompasso emocional após o suicídio de um amigo. Professor universitário, o especialista em coleções também se chama Ricardo, de forma a denotar um caráter autobiográfico à história.

O ritmo de ‘O Céu’ é impressionante. Capítulos curtíssimos, de página e meia, trazem consigo a história de Ricardo, a relação dele com a família, a profissão e os amigos e uma viagem a Beirute. É nesse contexto que Lísias toca nos temas de busca por identidade e culpa.

A densidade dos temas não tira a fluidez da história, e apesar de certos momentos de angústia, não há a mínima vontade do leitor de largar o livro. O trunfo de Lísias está na construção objetiva do texto, nos cortes milimetricamente feitos durante os momentos de clímax na história e no enredo disposto de forma a aguçar a curiosidade pelo desfecho do destempero emocional de Ricardo e as respostas para as questões que ele faz sobre si, a vida e a morte durante o livro.

‘O Céu dos Suicidas’ é obra para ser relida, presenteada e aplaudida.

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‘Vermelho Amargo’, de Bartolomeu Campos de Queirós

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‘Vermelho Amargo’ tem 65 páginas que versam sobre perda de forma dilacerante. Em prosa poética, o escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós faz um relato autobiográfico de um garoto que perdeu a mãe e tem que administrar as memórias dela a povoar-lhe a vida.

Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura de 2012 na categoria ‘Melhor livro do ano’, ‘Vermelho Amargo’ é fruto de observação. Observação de si e dos outros. O garoto órfão procura dentro de si a narrativa sobre a perda e a falta da mãe morta enquanto registra também os comportamentos dos que estão em redor. De seus irmãos, relata que um come vidros pra lidar com a ausência. Já a irmã tornou-se uma bordadeira obcecada. O pai, dado ao álcool, casou-se novamente. A nova esposa, por sua vez, não tem o mesmo cuidado que a mãe no preparo dos alimentos, tampouco com os enteados. É nesse cenário que o garoto vê as formas de cada um em lidar com a dor e a perda até que se retirem da casa onde sempre viveram em busca de alargar os horizontes da própria vida.

A leitura se faz em dicotomias. Se por um lado a leveza da poesia em forma de prosa conduz o leitor rapidamente à última página do livro, por outro, o conteúdo da narrativa tem dor e angústia. No entanto, a sensibilidade do autor e a minúcia no encaixe de cada palavra torna a leitura prazerosa e única.

A narrativa é feita de metáforas. O garoto fala de lâminas, facas, punhais, pontas, vidros, na descrição dos acontecimentos rotineiros como o preparo das refeições pela madrasta de forma a simbolizar rupturas e feridas.

Esta é uma das minhas mais marcantes leituras deste ano. Pela sensibilidade no trato da densidade de sentimentos e pela minúcia com que foi construído todo o texto.

A edição da Cosac Naify é um espetáculo à parte. A capa do livro é áspera, tem cheiro e cor de livro antigo, algo como um diário de menino descoberto nos baús de um sótão empoeirado. A edição fininha e pequena, tem o peso edição para coleção, de tão bonita e bem arquitetada.

Bartolomeu Campos de Queirós possui ao todo mais de 40 obras publicadas. Alguns de seus livros tiveram traduções em inglês, espanhol e dinamarquês. O escritor morreu em janeiro de 2012, aos 67 anos.

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Sobre sumiço

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Ando sumida e explico-me: semelhante ao cantor cearense Belchior, que volta e meia dá suas escapulidas dos olhos alheios e mobiliza toda uma sociedade em sua busca, não tenho motivos.

Ou até os tenha, mas não são lá de grande valia. Trabalho com reportagem política, tive o desafio de cobrir as eleições municipais de Fortaleza, fato que me custou todo o tempo e energia deste segundo semestre. Todavia, finda eleição, confesso que das leituras que fiz não priorizei tempo para resenhá-las.

Mas recentemente senti saudades da minha paixão pela literatura, de falar sobre, escrever sobre, ler sobre e neste sentimento achei meu regresso ao blog.

Eis o fim da minha síndrome de Belchior. Nada espetacular ou espetaculoso. Tiradas as teias de aranha da casa, é hora de voltar aos trabalhos.

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‘O sentido de um fim’, de Julian Barnes

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‘O sentido de um fim’ encabeça a lista dos livros mais emocionantes que li este ano.

Em pouco menos de 200 páginas, o escritor inglês Julian Barnes consegue falar de forma arrebatadora sobre memória, tempo, ilusões, perdas e dúvidas. A história é uma intensa reflexão sobre a falibilidade do existir.

Dono de uma escrita envolvente, o autor prende a atenção do leitor ao contar a história de Tony Webster, sessentão divorciado e aposentado, que ao receber uma herança inesperada se vê remetido a um passado pouco compreendido por ele próprio.

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‘Como desaparecer completamente’, de André de Leones

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‘Como desaparecer completamente’ é o terceiro livro do escritor goiano André de Leones, tendo sido publicado em 2010, logo antes de ‘Dentes Negros’, que foi lançado em 2011. (Falei sobre ‘Dentes Negros’ aqui: dentes-negros-de-andre-de-leones)

Depois de me surpreender com a leitura de ‘Dentes Negros’, resolvi vasculhar a obra de André de Leones e comprar mais um de seus livros. Decidi adquirir ‘Como desaparecer completamente’ por ser ele um dos lançamentos mais recentes do autor e também, devo admitir, por ter o mesmo título de uma das minhas músicas preferidas do Radiohead.

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