‘As Correções’, de Jonathan Franzen

Comprei ‘As Correções’ há exatamente um ano e o deixei repousando na prateleira. Isso sem remorso algum. Acredito piamente que os livros possuem hora certa para serem lidos. Não cabe a mim estipular que hora é essa. Apenas obedeço ao seu comando quando ela chega.

Esta semana estive doente, e em meus aparentemente infindáveis momentos de repouso receitados pelo médico, encontrei o momento certo para ler este que é o primeiro romance do escritor norte-americano Jonathan Franzen.

‘As Correções’ não conta uma história extraordinária. O enredo é simples: uma família norte-americana de três filhos – Denise, Chip e Gary – e seus genitores septuagenários – Enid e Alfred – não são exatamente um exemplo de sucesso pessoal e profissional. Cada um dos cinco tem seus próprios fantasmas a enfrentar em sua rotina.

A literatura de Franzen é realista. Cada uma das situações enfrentadas pelos personagens descritos poderia acontecer facilmente com qualquer de nós.

Enid é uma mãe controladora. Idealista de que os filhos e o marido sejam e ajam da forma como ela considera correta. Não raro se ilude acerca de quem os filhos de fato são.

Alfred é o pai bonachão e teimoso vítima de Mal de Parkinson e demência.

Gary, o filho mais velho, é casado com Caroline. Pai de três filhos que tenta, sem sucesso, disfarçar uma depressão.

Chip, o do meio, foi demitido da Universidade onde lecionava por se envolver sexualmente com uma aluna. Segue sendo uma espécie de fracasso profissional irremediável.

Denise, a filha mais nova, é chef de cozinha workaholic. Divorciada, se envolve em relações homossexuais.

As quase 600 páginas de ‘As Correções’ são o relato da busca de cada personagem do livro a corrigir seus erros, seus maus hábitos, suas incongruências, e prosseguir em paz através dos dias. A leitura prende. Cada personagem e situação é esmiuçada ao leitor de forma a lhe fazer sentir próximo ao enredo do livro. Conservadorismo, pragmatismo, valores, conflitos religiosos e costumes são postos em xeque por Franzen durante a narrativa. Vale a pena a leitura, que se mostra ávida e curiosa para descobrir que tipo de ‘correção’ o autor guardou para dar ao final de cada personagem.

Uma curiosidade, e apenas uma: ‘As Correções’ vai virar uma série produzida pela HBO. O ator escosês Ewan McGregor vai interpretar Chip, o filho do meio.

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