Relatos de um rabiscador

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A verdade é que tenho medo de escrever.

Isso porque escrever é desnudar-se. É transcender as emoções do coração pro papel. E depois de vê-las lá depositadas imaginar se estão mostrando menos ou mais do que deveriam.

Há também a batalha com as palavras. Nem sempre elas se posicionam no lugar mais apropriado. São como crianças fazendo algazarra numa fila indiana quando o mais correto seria estarem fincadas ao chão em ordem crescente de estatura. Algo que seria relativamente simples se as palavras – e também as crianças –  não tivessem vontade própria.

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Fragmentos cotidianos

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Muito diz sobre os acontecimentos do meu dia o tempo de duração do banho que tomo ao fim dele.

O de hoje se arrastou lentamente. Teve água com temperatura um pouco mais elevada que o usual, óleos aromáticos e música ambiente. Ainda que baixinho cantarolei twenty ways to see the world (oh-ho) e distraidamente arranhei minhas unhas roídas em minha própria pele enquanto depositava sabonete sob minhas pernas.

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Quase

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A neutralidade inquietante do vocábulo ‘quase’.

O limiar entre o tudo e o nada do ‘quase bati o carro’, ‘quase passei no vestibular’, ‘quase acabamos o nosso longo relacionamento’…quase. Cinco letras que ao lado uma da outra indicam aquele pequeno pedaço de sabe-se-lá-o-quê que por razões desconhecidas impediu que algo nos acontecesse ou que de algo nos apropriássemos.

Ando com uma mania de dizer por aí que sou quase jornalista. Quase porque minha faculdade ainda não está concluída, porque sou repórter estagiária e não apenas repórter, e porque ainda carrego na bagagem um tanto considerável de inexperiência e temor.

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Sobre estar só

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Eu e você mais uma vez juntos.

Os mesmos olhares que fingiam indiferença, os mesmos discursos ácidos. Você pediu café sem açúcar, eu pedi chocolate quente. Foi o bastante para que você dissesse algo sobre eu sempre comer as mesmas coisas. Tirei meus olhos dos seus. Você reagiu dizendo que eu era sempre a mesma. Tinha sempre as mesmas desculpas, as mesmas fugas, as mesmas manias. Frisou o quanto te irritavam as minhas distrações cotidianas.

Eu fingia ouvir quase nada do que você dizia. Perdi o olhar observando uma senhora carregar uma pesada sacola de compras. Não te olhava nos olhos. Você esbravejava seus desconfortos. Repetia meu nome. MA-RI-NA. Me pedia atenção.

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