‘1922 – A semana que não terminou’, de Marcos Augusto Gonçalves

Há algumas semanas muitos jornais publicaram matérias comemorativas dos 90 anos da Semana de Arte Moderna, ocorrida em fevereiro de 1922.

Ler tanto conteúdo sobre o mesmo assunto me despertou a curiosidade para saber mais do que as poucas laudas dos jornais me diziam sobre ter sido a semana que deu início ao movimento modernista brasileiro. O que tinha lido nos jornais mais as lembranças de algumas aulas de literatura que tive nos longíquos anos colegiais era todo o conhecimento que tinha sobre o modernismo.

Uma forma que encontrei de saber mais sobre a tão especial Semana de 22, foi ler o recém-lançado livro do jornalista Marcos Augusto Gonçalves, que é repórter e editorialista da Folha de São Paulo.

O título, sem grandes mistérios, deixa claro que ali está um relato jornalístico sobre a Semana. Apesar da imprecisão de chamá-lo de ‘A semana que não terminou’, quando 1922 se trata de um ano e não de uma semana, o título me pareceu convidativo a conhecer o conteúdo do livro.

A capa colorida e atraente é uma homenagem alusiva à obra ‘Paulicéia Desvairada’, de Mário de Andrade, um dos personagens mais importantes da Semana. O livro me interessou também pela qualidade do material iconográfico que abriga. Várias fotos da São Paulo do começo do século, imagens das obras expostas durante o evento, fac-símiles de documentos…a obra como um todo é prova do trabalho intenso de pesquisa e apuração de dados de Marcos Augusto Gonçalves sobre o evento. Pesquisa essa que durou três anos.

A narrativa começa a partir da caracterização de cada personagem – Annita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Heitor Villa-Lobos e Tarsila do Amaral. A partir dos nomes Gonçalves vai costurando o encontro dos cinco e as inquietações que os fizeram tomar a iniciativa de idealizar um movimento em prol da emancipação artística do Brasil.

A obra cobre o período que vai desde a virada do século XX ao ano de 1923. As pesquisas de Gonçalves incluíram entrevistas com intelectuais como Antonio Candido, que o ajudou a recuperar momentos-chave da época e traçou perfis detalhados dos personagens da Semana.

‘1922’ prende a leitura. O relato de Gonçalves é atraente e preciso, não se resume a um apanhado de informações jogadas sem critério nas páginas de um livro. O autor alinhava os fatos de forma a construir o cenário político, econômico e cultural do Brasil no início do século XX de tal forma a quase transportar o leitor para aquela época. As páginas deslizam facilmente pelos dedos e facilmente a leitura chega ao fim, deixando saudade. Um ótimo livro.

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