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‘Persépolis’, de Marjane Satrapi

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Li Persépolis há algumas semanas e o livro ainda não me saiu da cabeça. Tanto que ainda não consegui começar nenhuma nova grande leitura. Basicamente tenho passado o tempo que poderia estar lendo outros livros pesquisando elementos do Persépolis: Irã, cultura iraniana, obrigatoriedade do uso do véu para as mulheres, revolução e ditadura.

Persépolis é o relato em forma de história em quadrinhos de Marjane Satrapi, ilustradora e escritora iraniana. Nele, Marjane conta sua história e consequentemente um pouco da história do Irã por meio de desenhos de seu próprio traço. O título é uma referência à denominação da antiga capital do império persa, onde hoje está situado o território do Irã.

A história do Oriente Médio me instiga. Pelo choque cultural com o Ocidente, onde nasci e me criei e donde nunca saí. A história de Marjane, especificamente, me seduz e desperta curiosidade por ela ser uma transgressora dos limites da ditadura iraniana e uma questionadora dos ditames.

O traço de Marjane traduz a atmosfera de animosidade do Irã em tempos ditatoriais e conta as agruras de uma sociedade repressora onde ela não se encaixava e tentava subverter. Em quadrinhos ela relata situações, confusões, suas retiradas do país e a dificuldade de se encontrar em culturas mais permissivas, o retorno ao Irã, as mudanças políticas, seus dramas pessoais, casamento, separação, faculdade, trabalho, encontros e desavenças.

Em 2007 o livro virou filme de animação também no traço de Marjane. No mesmo ano foi indicado ao Oscar de melhor filme de animação, mas acabou perdendo a estatueta para Ratatouille.

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Sobre retornos

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Sobrevivi a uma turbulência.

Não, não se trata de viagens de avião. Há tempos não entro em um, para ser bem sincera. Por turbulência entenda-se o final da minha faculdade de jornalismo, que se arrastou pelos últimos sete anos de minha vida.

O último semestre da faculdade foi um tanto caótico, mas encontrou seu fim e agora há tempo em minha rotina para literatura e as demais peças que compõem o Mosaico deste blog.

Estamos oficialmente de volta aos trabalhos.

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BLACK PANTER, UN EVENTO CULTURALE PROFONDAMENTE AMERICANO

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Nei crediti di Black Panther troviamo Hannah Beachler (scenografie), Debbie Berman (montaggio), Ruth E. Carter (costumi), Megan Flood (effetti visivi), Sarah Halley Finn (casting), Rachel Morrison (fotografia, prima donna candidata all’Oscar per Mudbound). Nella storia, T’Challa, re di Wakanda, porta in missione due guerriere, mentre a casa sono rimaste la sorella, geniale inventrice, e la regina madre, componente di un’assemblea fatta per metà da donne. C’è una ragazza anche tra gli antagonisti, ma Erik è talmente accecato dall’odio da non concederle nemmeno una parola: solo un proiettile.

Questa visibilità femminile è una delle caratteristiche più interessanti nell’epoca del Time’s Up, specie in un blockbuster da duecento milioni di dollari che corona l’altro grande movimento del recente cinema americano, esploso due anni fa con la polemica di OscarSoBlack.
Lorenzo Ciofani

Se da una parte la ricezione italiana rischia di derubricarlo ad ennesimo cinecomics dello scatenato universo Marvel, dall’altra tende a non cogliere quanto si tratti di un evento culturale profondamente americano che quasi prescinde il film in sé e puoi guardarlo online su solarmovieon. Qualcosa di analogo a quanto accaduto con Wonder Woman (guarda la video recensione). Come Patty Jenkins, Ryan Coogler rappresenta una precisa scelta politica, con le radici nella coscienza civile della sua comunità (le pantere nere degli anni Sessanta…). Tant’è che l’imbarazzante CGI finisce per non svilire davvero il risultato finale.

Individuando le coordinate nell’esaltazione del sontuoso apparato visivo e la cifra sonora identitaria (percussioni sudafricane e senegalesi e brani di Kendrick Lamar), prosegue nel solco dei precedenti lavori: se in Prossima fermata: Fruitvale Station denunciava la violenza razzista e in Creed rinnovava l’epica del riscatto, qui fa coincidere le due istanze in un’ulteriore riflessione su cosa voglia dire essere, oggi, afroamericani, delegando ai suoi supereroi il dovere di rendersi visibili per occuparsi delle sorti di un mondo pronto ad una infinity war.

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‘Os enamoramentos’, de Javier Marías

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O escritor espanhol Javier Marías tem 41 anos de carreira e 13 romances publicados, dos quais eu não havia lido um sequer. Apesar de toda a fama de grande escriba que Marías carrega por ter publicado obras tidas como memoráveis, dentre elas a trilogia ‘Seu rosto amanhã’, só com o lançamento de ‘Os enamoramentos’ me senti seduzida a conhecer a literatura dele.

‘Os enamoramentos’ me saltou aos olhos por sua capa bonita e título que sugeria uma bela história de amor. Trouxe um exemplar pra casa sem saber muito o que me aguardava.

Longe de ser uma novela água com açúcar sobre amor, ‘Os enamoramentos’ é uma trama construída com bases na admiração, no desejo, nas meias-verdades e no infortúnio. A voz narrativa da trama, María, conta sobre sua admiração por um casal que diariamente observa em uma cafeteria de Madri. Considera-os exemplo de perfeição e êxito em matéria de relacionamentos, até que um dos dois é friamente assassinado.

Trata-se de uma história sobre amor, não uma história amorosa. ‘Os enamoramentos’ a que Marías se refere no título do livro não remetem apenas ao casal Miguel e Luísa, dignos de observação da narradora María. Remetem também aos envolvimentos amorosos dela própria, que apresentam ao leitor uma gama periférica de novos personagens para além do casal enamorado.

Duas coisas muito me agradaram neste livro: uma é a construção da narrativa em capítulos curtos, que dá um ritmo acelerado e instigante ao relato. Outra é a metaliteratura de Marías, que faz referência a obras dos franceses Honoré de Balzac e Alexandre Dumas para explicar um pouco mais do título do livro, e também para delinear um pouco melhor a personalidade da personagem María, que trabalha numa editora de livros e é bastante afeita à literatura.

A trama é conduzida de modo que o leitor não consegue mensurar o novo fato que virá ao fim de cada página. A história que inicialmente parece querer contar sobre o aspecto romântico e idealista do amor revela também a faceta cruel, egoísta e maniqueísta dele, quando nos é apresentado o personagem Javier Días-Varela, amigo do casal Miguel e Luísa, com que María se envolve numa relação frívola.

‘Os enamoramentos’ surpreende e cativa. Uma vez encantada, desbravarei os outros títulos de Marías.

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‘O sonâmbulo amador’, de José Luiz Passos

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‘O sonâmbulo amador’ é um livro sobre encontros. Encontros consigo mesmo. O protagonista Jurandir é alguém em constante fuga de seus fantasmas e problemas. Foge até perder-se e confundir-se neles, até que perceba que fugir de quem nós somos não nos é uma possibilidade.

A trama envolvente do pernambucano José Luiz Passos me caiu nas mãos por acaso. Vi elogios rasgados quanto a esse escritor até então por mim desconhecido no Facebook do escritor Ricardo Lísias (autor de ‘O Céu do Suicidas’, livro que resenhei aqui recentemente). Por ser uma indicação de um escritor que gosto muito, resolvi conhecer a literatura de José Luiz Passos.

O primeiro adjetivo que me vêm à mente para definir ‘O sonâmbulo amador’ é ‘cuidadoso’. Nota-se, ao longo das páginas, que o livro foi pensado e escrito com minúcia. Por não depender financeiramente de sua produção literária, (José Luiz é professor da Universidade da Califórnia) o escritor dedica-se com mais calma a seus textos, o que traz ao leitor uma trama esculpida com a maestria de palavras bem selecionadas em capítulos zelosamente formulados.

Jurandir é um funcionário sessentão de uma indústria. Casado e amante de uma colega de trabalho, ele deixa a cidade onde mora, no interior de Pernambuco, para levar a um advogado na capital documentos referentes a um acidente de trabalho com um rapaz de sua empresa. Ele, que teve o filho adolescente morto em um acidente, sente as dores da mãe do rapaz acidentado na empresa e decide ajudar no andamento do processo judicial que envolve o jovem. No entanto, durante a viagem ele tem um surto psicótico e é internado numa clínica psiquiátrica. Lá, Jurandir começa um tratamento onde é obrigado a relatar em cadernos seu passado, presente e até seus sonhos.

Nesses relatos, muitas vezes o passado se confunde com o presente e os sonhos com o mundo real. Jurandir tenta achar o cerne de suas questões morais e comportamentais analisando a si mesmo com ajuda do médico Ênio e do enfermeiro Ramires, de quem se torna amigo. É aí que começa a ser montado um quebra-cabeça de quem Jurandir é e porquê ele é desta determinada forma.

Ao desenrolar da trama não deve o leitor esperar resposta para todas as questões de Jurandir. Semelhante à realidade, não há resposta para toda crise existencial do personagem. O que José Luiz Passos relata, mais do que respostas, é a maturidade e o engrandecimento moral de Jurandir adquiridos ao longo dos anos. É a percepção doo que é importante, do que tem grande valia pra si e para os seus.

O livro é envolvente, mas exige que o leitor mantenha atenção redobrada para entender os tempos e espaços em que Jurandir conta as histórias sobre si. Divido em quatro ‘cadernos’, todos escritos por Jurandir, a história muitas vezes não é cronológica, mas sem nunca perder a lógica, o ritmo ou o magnetismo.

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‘Livro’ de José Luís Peixoto

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‘Livro’ é daqueles tipos raros de leitura que te faz parecer bobo ao fim dela. Isto porque encerrar esta obra invariavelmente te fará passar pelo papelão de insistir docemente a todos os familiares, amigos, conhecidos, vizinhos, transeuntes, que a leiam rápido e agora, isto sem esquecer daquele sorrisinho nervoso de vendedor inexperiente.

Mas tudo por uma razão: ‘Livro’ prende. É daqueles que você até quer saber o que se passar em redor, que você até suspeita que a vida fora dele ainda exista, mas as linhas da história te parecem tão mais atraentes que continuar a leitura é o que mais te importa neste exato momento.

‘Livro’ é um resgate autobiográfico não vivido pelo escritor português José Luís Peixoto. Ele é filho de pais portugueses imigrantes para a França como forma de fugir da ditadura nos anos 60.

Ao fim do regime ditatorial, toda a família retorna à vila que deixaram em Portugal, onde Peixoto nasce e posteriormente faz dela cenário principal da primeira parte da narrativa de ‘Livro’.

A história é contada em duas partes: a primeira começa com uma mãe depositando nas mãos do filho, Ilídio, um livro e o deixando aos cuidados de Josué, um amigo. Começa então um relato de mais ou menos 50 anos da história central de Ilídio e Adelaide, moça da vila que ele se enamora e a quem presenteia com o mesmo livro dado por sua mãe no começo da narrativa.

Aos poucos é revelado ao leitor que ‘Livro’ não é só um objeto, mas também o nome do narrador da segunda parte da história. No entanto, não deixa de existir enquanto objeto, e citações a grandes obras e autores são frequentes na segunda parte do relato.

O livro objeto dado a Adelaide por Ilídio é o início da trama que vem a ser o embasamento da vida da moça em Paris, local para onde é enviada pela tia Lubéria quando descobre o romance entre a sobrinha e Ilídio. A partir de então os livros-objeto permeiam o cotidiano de Adelaide, que chega a trabalhar numa biblioteca.

O livro então se desenrola sob viés insuspeitados no começo da história: Ilídio parte em busca de Adelaide, mas os caminhos dos dois se desencontram e lapsos temporais e mudanças de voz narrativa chegam a confundir o leitor mais desatento.

No entanto, é nessa aparente confusão que José Luís Peixoto ousa no estilo de narrar a história que se apresenta sob diversos focos. Na França a história passa a ser contada por Livro, filho de Adelaide, que estabelece relação mais estreita com o leitor na hora de relatar o acontecido com a mãe ao longo da vida e seus antepassados portugueses.

Nesse ínterim o autor busca reconstruir nuances da própria memória de sua família itininerante entre os dois países. ‘Livro’, entre voltas e reviravoltas, não é romântico ou fantasioso, mas cativa pela abordagem inusitada e pela construção de frases de tal forma a transportar o leitor para o local da narrativa e reconstruir a história dos três: Ilídio, Adelaide e Livro.

Vale a leitura, a releitura e um espaço privilegiado na estante.

Uma curiosidade: José Luís Peixoto foi vencedor do Prêmio José Saramago de 2001 com a publicação de ‘Nenhum Olhar’.

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‘A vendedora de fósforos’ de Adriana Lunardi

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Confesso que peguei ‘A vendedora de fósforos’ da estante da livraria sem esperar muita coisa. Nunca antes havia lido algum dos livros da escritora catarinense Adriana Lunardi, mas ler na internet meia dúzia de resenhas positivas sobre este me fez trazê-lo pra casa sem muita hesitação.

‘A vendedora de fósforos’ tem no conto ‘Den lille pige med svovlstikkerne’ (‘A pequena vendedora de fósforos’), do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, sua inspiração. Mas as semelhanças param aí. Não há na história de Adriana o viés romântico do conto de Hans Christian Andersen.

Se no conto dinamarquês a menina pobre sonha com uma vida melhor, no livro de Adriana a narrativa gira em torno de uma integrante inominada da família Anjos que reconstrói a história da família a partir de um telefonema recebido que lhe informa mais uma tentativa de suicídio da irmã.

É juntando as peças de um quebra-cabeça de forma aleatória e anacrônica que a narradora fala de si e dos seus. A história é densa e exige concentração do leitor não só para que se situe no tempo da narrativa mas também para perceber a profundidade do que não é dito. É por meio de palavras e também do silêncio das entrelinhas que Adriana Lunardi versa sobre as cicatrizes de uma família marcada pelo isolamento e pelas fugas. As páginas que se esvaem ligeiras trazem também as peculiaridades das duas irmãs depressivas, dos efeitos da solidão e do gosto pela literatura presente na vida das duas. Delineia-se também o cenário velado de competitividade entre as irmãs, que por toda a vida travam pequenas batalhas inúteis entre si.

O unir das peças do quebra-cabeça da família Anjos revela uma história de descobertas. Descobertas de cada membro da família, que envolto em seus segredos, vai tendo a história contada e os trejeitos incomuns justificados por situações vividas.

Este livro, apesar de bem contado, não foi dos que mais me cativou. Muitas vezes a narrativa, apesar de densa, trazia em si um quê de literatura infanto-juvenil que não soube detectar o quê propriamente. ‘A vendedora de fósforos’ não despertou em mim de forma avassaladora e irracional a vontade de ler mais livros de Adriana Lunardi. Talvez pare por aqui na leitura da obra dela.

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